História - Cortes

A povoação das Cortes é uma das povoações mais antigas do termo de Leiria, a ela se referindo numerosa documentação medieval. As primeiras referências documentais, até hoje conhecidas, surgem por volta de 1250 num pergaminho em que os Templários (de Tomar) registaram as suas propriedades existentes no termo de Leiria.
 
Remontando à origem do topónimo Cortes, é aceitar suposições de um autor do século XIX que, pegando em elementos aqui e ali, construíu a sua própria história que nunca ninguém se atreveu a pôr em causa, mas que é, contudo, facilmente desmontável.
 
Igualmente sem fundamento é a versão segundo a qual o topónimo Cortes se deve ao facto de as Cortes de Leiria (pronunciar côrtes) se poderem ter realizado justamente nas Cortes (pronunciar córtes). Estudiosos e historiadores já há muito assentaram que tal evento decorreu no Paço Real, junto da igreja de S. Pedro, nas imediações do castelo de Leiria.
 
Pela interpretação ponderada e sistemática dos documentos até agora encontrados, os especialistas inclinam-se para a significação de Cortes como sendo terras de cultura ou herdades, estrutura agrícola típica do vale fértil de um rio que desde sempre atraíu gente de importantes cabedais. A elite social da região, próxima da corte régia, não hesitava mesmo em adoptar Cortes como apelido, como se pode constatar em documentos de meados do século XV.
 
A festa da padroeira, Nossa Senhora da Gaiola, realiza-se anualmente no 1º Domingo de Maio, sendo tradição imemorial. A Carta Régia de D. João III, de 31 de Maio de 1542, concedendo licença aos moradores das Cortes para realizarem e pedirem para o Bodo, estabelecendo os critérios de distribuição das esmolas, fala deste costume como sendo de "antigamente".
 
O terramoto de 1755 abalou a igreja e algumas capelas da freguesia, mas não causou prejuízos de monta, a não ser na capela de Santa Bárbara da Amoreira, e não havendo notícias de outros factos danosos, a não ser o de as águas do rio terem voltado para trás, tal a força do abalo.
 
O rio Lis, que nasce nas Fontes, é a alma viva desta terra, irrigando as suas terras e inspirando várias gerações de poetas. Como ex-libris das Cortes ficou a nora de tirar água, com os seus alcatruzes e andamento amodorrado, figurando como motivo central do brasão local. A paisagem é revestida essencialmente de vinhedos, pomares e mata de pinhais.
 
A nascente fica o miradouro serrano da Senhora do Monte, com a sua capela quinhentista sobressaíndo do Pé-da-Cabeça-do-Bom-Dia, à espreita do mar que, em dias luminosos, se avista de longe.