História - Barreira

“Dentre as freguesias do Concelho de Leiria, a Barreira encontra-se entre as que mais atenções têm merecido a eruditos e investigadores, poucas havendo que a ultrapassem em número de livros editados que compendiam as memórias pretéritas dessas terras cimeiras orgulhosas das suas heranças romanizantes dispersas pelas velhas colinas coliponenses que, em São Sebastião de Freixo, encontram a sua polaridade”. É o reconhecido Investigador e Professor Catedrático Saul António Gomes quem afirma que a história desta freguesia é ancestral, provavelmente devido ao facto de neste território ter existido a Cidade romana de Collipo, referida desde o Século I pelos autores latinos como sendo um povoado Túrdulo, situado na faixa atlântica entre Conimbriga e Eburobrittium.
 
Ocupando parte do território do lugar de Andreus, a Cidade de Collipo estender-se-ia pelas encostas viradas a Sul e a Oeste (Concelho da Batalha). De acordo com alguns historiadores, os Túrdulos teriam escolhido o Outeiro de São Sebastião do Freixo para fixar um grande povoado, devido às condições geo-estratégicas que o local apresentava. Este Outeiro, todavia, deveria ser já habitado, pois nas diversas escavações arqueológicas efectuadas foram encontrados alguns fragmentos de cerâmica pré-histórica.
 
Também a obra de referência para o Distrito de Leiria “O Couseiro ou Memórias do Bispado” faz referência à Barreira. Então designada de Freguesia de São Pedro, o autor desta obra histórica refere que no Século XVI (1534) foi construída pelos moradores uma ermida de invocação do Salvador, no seguimento de uma petição da autoria de João Vicente. Em 1602, o Bispo D. Pedro de Castilho ordenou a construção de um novo templo tendo em conta, entre outros factos, o das reduzidas dimensões do primeiro, insuficientes para acolher o elevado número de fiéis. Aponte-se que no Século XVIII (1713), a Freguesia da Barreira foi anexada à de Nossa Senhora da Gaiola nas Cortes. Apenas em 1738, através da intervenção do Bispo D. Álvaro de Abranches, a Barreira foi elevada a freguesia.
 
Um apontamento histórico que marcou e ainda marca a Barreira reside no facto da Estrada Real da Mala-Posta, a principal via de comunicação do nosso país durante largos anos e que ligava as cidades de Lisboa e do Porto, intersectar a freguesia, designadamente nos lugares de Mourã e Casal da Cortiça. 
 
Outro aspecto que merece nota de realce reside na existência de diversos apontamentos de arquitectura fontenária nos lugares de Casal da Mourã, Telheiro, Pinhal Verde, Marvila, Barreira e Sobral, com destaque para esta última localidade possuir algumas fontes desenhadas por Emílio Korrodi, filho do conceituado arquitecto Suíço radicado em Leiria, Ernesto Korrodi. 
 
A Barreira oferece ainda aos seus visitantes diverso património edificado, religioso e civil, com destaque para a Igreja Matriz que ostenta um portal equilibrado e bem composto, tectos de abóbada estucada e cinco belos altares: o mor, dois laterais e dois colaterais. Destacamos ainda a Igreja do Sobral, a Igreja da Mourã e o Solar do Visconde, um edifício classificado e construído por quatro pisos onde se destaca o Salão Nobre e a Capela. Referência também para o Solar do General Oliveira Simões, uma habitação senhorial de dois pisos.  
 
No que respeita às belezas naturais, mencionam-se as zonas protegidas junto ao Rio Lena, um primoroso pinhal e fabulosas imagens panorâmicas que se obtêm do alto do lugar de Andreus.